Apesar de toda a preocupação e indignação quanto à privacidade online, anunciantes e empresas que operam dados sempre souberam muito mais sobre a vida de seus clientes fora da rede, o que inclui dados sobre renda, propriedade de imóveis, os carros que as pessoas licenciam e informações como a posse ou não de uma licença de caça. Recentemente, algumas dessas empresas começaram a conectar essa montanha de informações aos navegadores de web dos consumidores.
O resultado é uma mudança radical na maneira pela qual as pessoas receberão a web. Elas não só terão publicidade personalizada como versões diferentes de sites, em comparação às recebidas por outros consumidores, e podem até receber descontos diferenciados em suas compras online - e tudo isso com base em informações sobre sua vida fora da Internet. Duas mulheres que trabalham em salas vizinhas de um escritório podem frequentar o mesmo site de cosméticos, mas uma delas receberia publicidade de um perfume Missoni de US$ 300 enquanto a outra um anúncio para batom com marca de loja e preço de US$ 2.
A tecnologia que permite essa conexão não é novidade. Trata-se de um pequeno código de computação conhecido como "cookie", que fica instalado no disco rígido de um computador. Mas a informação que o cookie detém mudou. E tudo isso é realizado de maneira invisível.
"Agora, você está percorrendo a Internet com um cookie que indica que você é tal tipo de consumidor: nível de renda X, faixa etária Y, urbano ou rural, com ou sem crianças em casa", disse Trey Barrett, líder de produto na Acxiom, uma das empresas que está oferecendo esse tipo de conexão aos anunciantes.
Os anunciantes afirmam que essa especificidade é útil, e elimina parte do trabalho de adivinhação envolvido nos perfis que utilizam apenas dados de Internet. Com isso, os produtos são exibidos a pessoas que têm maior probabilidade de se interessar por eles. Grupos de varejo como a Hap, Sephora e Victorias Secret estão usando essa tática.
Mas os defensores dos consumidores afirmam que esse rastreamento invisível é perturbador. Se na velha Internet ninguém sabia que você era feio pra cachorro, na nova versão dirigida é possível saber que raça de cachorro você é, qual é sua cor favorita para coleiras, quando teve pulgas pela última vez e em que data foi castrado.
O caso de amor entre o setor e os cookies persistentes tornou virtualmente impossível a um usuário entrar online sem ser rastreado e acompanhado.
Os consumidores podem evitar rastreamento por cookies apagando os cookies de suas máquinas ou programando seus navegadores de maneira a não aceitar cookies. Mas poucos o fazem, e os defensores da privacidade afirmam que é fácil para as empresas instalar cookies sem que os usuários percebam.
Os usuários teriam pouco motivo para imaginar que sua experiência ou a publicidade que veem estejam sendo personalizadas com base no valor de suas casas ou na marca do carro que dirigem.